Pseudo-sonho

Esta manhã eu acordei e estranhamente passei a mão no lado vazio da cama, como se achasse que alguém a pouco estava ali, ou esteve por muito tempo e se foi. Junto ao travesseiro amassado havia um bilhete que dizia: “Me espere, eu voltarei quando você menos esperar”, por um momento – quero dizer, na verdade, por todo momento – achei que estava sonhando, tentei me lembrar do que havia acontecido na noite passada, talvez nas várias noites passadas, mas não conseguia me lembrar de nada, a sonolência me dominava totalmente.

Peguei no sono de novo, não tinha problema dormir até tarde, afinal, era domingo.

Acordei algumas horas depois, pelo menos era o que indicava meu despertador, com a sensação de ter sonhado com algo estranho, repeti o mesmo que tinha feito antes, mas não havia bilhete e eu ainda conseguia sentir o calor e o cheiro que o lado vazio da cama me proporcionava. Era irresistível não ficar ali, sentia que poderia ficar por horas e faria de tudo para o aroma continuar. Mas eu precisava levantar e caminhar um pouco, a janela do quinto andar, que me pertencia, indicava um sol quente e agradável em um dia gelado.

Fui até o banheiro, segui minha rotina matinal normalmente, até que cheguei à cozinha e me deparei com um homem alto de cabelos negros e encaracolados, a luz que refletia em seus cabelos reluzia de forma tão bela que me fez olhar por alguns segundos que pareciam na verdade longos minutos. Ao notar minha presença, o tal homem alto me olhou como se soubesse a quantidade exata de pintas que eu possuía no corpo, como se soubesse que aquele olhar iria me paralisar por completa e me fazer esquecer que havia um mundo ao meu redor. Imediatamente ao fundo comecei a ouvir sons repetitivos de um celular em modo vibracall, fechei os olhos e no momento em que os abri eu estava em minha cama com um bilhete na mão e o celular vibrando no criado-mudo. Atendi de imediato e ouvi: “Já estou voltando pra casa, meu amor”.

Naquele exato momento percebi que o sonho não foi o que aconteceu primeiro, foi o que aconteceu em segundo caso, e que realmente havia um homem alto de cabelos negros e encaracolados que me pedia para esperar.

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