Crônicas de um ponto de ônibus #1 O velhinho e seu cachorro

Eu e minha grande mania de sempre acabar atrasada, mesmo nunca estando.

É incrível a quantidade de tempo que uma pessoa, ditamente comum, pode ficar esperando por um meio de transporte público. Você sabe que as tarifas sempre aumentam, que a qualidade do serviço sempre decai, mas de uma forma ou de outra necessita desse meio não tão querido.

Pensando bem, pegar ônibus é até bom por ter uma ou até algumas vantagens. Você não precisa se preocupar em dirigir – tanto para você quanto para os outros -, não precisa se estressar com o trânsito nem com o funcionamento do seu transporte, apenas paga sua passagem – um tanto cara, confesso – e vai confiando em um ser humano que comanda a “nave”.

Agora, esquecendo esse discurso todo e voltando para a espera… hoje, esperei mais de trinta minutos pelo ônibus para vir ao trabalho. Claro, sempre me atrasando e perdendo os horários em que os ônibus estão mais vazios. E durante essa espera, como sempre, estava sozinha, mas ao longe avistei um velhinho com uma espécie de vara na mão e um cachorrinho branco e preto andando pra lá e pra cá próximos à movimentada marginal perto de casa.

Fiquei pensando “acho que esse velho é meio doido, tá lá parado, sem fazer nada e o cachorrinho pra lá e pra cá sem objetivo algum”. Depois de um tempo, ele continuou andando, vindo em direção ao ponto de ônibus. Então ele chegou até o ponto e sentou no banco do outro lado. Olhei para ele, me parecia familiar até. Levando em consideração que ele veio da direção de onde eu estudava, talvez já tivesse visto ele.

Me veio à cabeça então: “poxa, poderia conversar com ele, né?!”, ele parecia meio sozinho, embora estivesse com o cachorro não é a mesma coisa que estar com uma pessoa, e eu sei bem como é isso. Mas acabei ficando na minha.

Era engraçado, o cachorro ia e vinha, o senhor olhava o movimento da marginal, mexia com a vara pra lá e pra cá. O cachorro chegava perto dele, ele dava carinho, achei tão bonitinho os dois, mas não tive coragem pra abrir a boca e falar algo.

Talvez, aquele senhor pudesse proporcionar uma conversa agradável e a minha espera fosse menos entediante, um diálogo sempre é bom quando não é esperado, principalmente com pessoas desconhecidas.

Depois dos longos trinta minutos, o ônibus finalmente chegou e eu fui com o pensamento de que poderia pelo menos ter dito “bom dia” ao velhinho e ter me sentindo menos sozinha, como talvez ele também.

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