Crônicas de um ponto de ônibus #7 Mendigo armado

Ultimamente eu tenho tido alguns problemas em pegar ônibus, e um deles é realmente não pegar ônibus. Pra quem não sabe, recentemente eu me formei e também me demiti do trabalho, mas isso fica para outra hora. Porque numa dessas ocasiões em que eu quase nunca pego ônibus aconteceu uma coisa que eu fiquei tão chocada e com medo que nunca rezei tanta vezes seguidamente na minha vida toda.

Estava eu, linda e bela, no ponto de ônibus num sábado à tarde. Às vezes tenho medo de pegar ônibus aqui perto de casa porque sempre há muitos boatos sobre assaltos e outras coisas ruins que acontecem quando você fica esperando o ônibus. Mas tento sempre ter em mente que nada irá acontecer e que pegarei o ônibus em segurança, só que parece que nessas poucas vezes em que eu tenho a necessidade de pegar um ônibus eles nunca vem. Aliás, eles vem, mas são todos aqueles que não me servem e às vezes eu acho mais fácil ir andando até o terminal rodoviário do que ficar esperando, porém isso nunca acontece porque sempre me resta aquele pouquinho de esperança de que logo, logo o ônibus vai aparecer. Mas também nunca acontece.

Eu já estava há um tempo no ponto. Não havia pessoas e nem ônibus passando. Até que reparei num senhorzinho atravessando a avenida com seu cachorro. Logo percebi pelas roupas e pela sua aparência ao longe que era um morador de rua. Ele atravessou e ficou olhando para o canal que tem na rua da frente por um tempo. Achei estranho, até pensei que ele poderia estar pensando em se jogar, ou pescar, ou sei lá o que as pessoas fazem quando ficam admirando um canal de esgoto a céu aberto. E depois de toda essa observação no canal, ele abriu a bolsa que carregava e tirou um facão, mas era um facão mesmo, tipo aqueles que as pessoas usam em canaviais, e jogou na grama. Logo em seguida ele tirou uma arma. Sim, da distância em que eu estava eu vi claramente que era uma arma. Não sou boa entendedora dos nomes, mas era uma arma.

Eu entrei em choque e comecei a rezar loucamente a oração do “Santo Anjo”. Não que eu seja devota ou tenha alguma religião em específico, mas acredito que quando você pensa em coisas boas, coisas boas acontecem, e que quando você pede proteção alguém no universo, por mais ocupado que esteja, talvez te ouça e esteja ali olhando por você para nada de pior acontecer.

Logo depois de jogar as coisas no chão,  o mendigo entrou no canal e o cachorro ficou na margem esperando. E de tanto eu rezar o ônibus apareceu e eu entrei agradecendo aos céus por não ter acontecido nada. Nem sei se realmente era uma arma, mas tenho certeza de que era quando vi, e nem sei também se ela estava carregada ou se o senhorzinho iria fazer algum mal à alguém. Seja lá o que ele foi fazer dentro do canal eu espero que ele esteja bem e que não utilize tais armas para fazer mal à algum ser vivo.

Nunca tive experiência com armas e, por sorte, uma única vez fui abordada por um assaltante, mas nada aconteceu. A questão é que hoje em dia se vê tanta coisa na TV e nos jornais que é difícil saber quem são as pessoas e quais são suas intenções. Então, por aquele mendigo, eu apenas rezo.

5 comentários sobre “Crônicas de um ponto de ônibus #7 Mendigo armado

    • Sammy Freitas disse:

      Não, às vezes passava gente de bicicleta, mas não tinha ninguém ahahahaha achei que eu ia ter um troço, porque ver essas coisas na ficção ou na TV é uma coisa, mas ver pessoalmente é outra, né?! Ahhh, aproveitando: adorei seus blogs ❤ me inspirei muito quando fiquei fuçando pra por o meu de volta nos trilhos ahahaha tô gostando muito das dicas do que ler/ver 😀

      • Samara Lopes disse:

        Que barra. Ainda bem que não aconteceu nada.
        Hehe. Obrigada. Ando escrevendo sobre as coisas que vejo e leio. Minha memória sempre foi péssima. Quando eu escrevo sobre, consigo guardar mais facilmente as coisas. E é sempre bom pensar e analisar essas coisas. Adoro ❤

      • Sammy Freitas disse:

        Antigamente, quando eu lia mais, eu sempre escrevia uma resenha só pra lembrar mesmo. Porque às vezes são tantos livros que eu confundo as histórias e fico me perguntando “onde eu vi isso?” ahahahaha mandou bem nos blog, Samara! :*

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