Crônicas de um ponto de ônibus #8 Frango assado

Se tem uma coisa que eu detesto é sair de casa pra ir em um lugar distante fazer uma coisa que não vai levar nem cinco minutos. E esse foi o dia: o último dia em que eu poderia pegar os convites da minha colação de grau – que depois descobri que eram totalmente inúteis pois não era obrigatório entrar com convite, e então por que raios nos fizeram ir buscar como se fosse uma obrigação? Vai entender.

Nesse dia eu fui com o meu namorado. Quase duas horas de ônibus pra ir, a claustrofobia dele atacando num ônibus extremamente vazio e só cinco minutos para atingir o objetivo depois de chegar ao local.

O que fez tudo isso valer a pena foi a volta. Nesse dia eu estava na casa dele, era uma terça-feira, e eu disse que seria uma boa se levássemos algo para o jantar, mesmo não fazendo ideia do que poderíamos encontrar aquele horário. E então, eu lembrei que um mercado perto da faculdade, e perto também de onde eu trabalhava, fazia frango assado praticamente 24h por dia. Compramos o frango e fomos para o ponto de ônibus, que fica exatamente em frente meu antigo emprego.

O frango estava quentinho e o cheiro estava maravilhoso, se alastrando incrivelmente pelo local onde estávamos. Então uma pessoa começou a comentar “nossa, isso é cheiro de frango assado?” e a outra respondeu “com certeza, e é muito bom por sinal”. Nisso, os comentários continuaram se estendendo, pois o cheiro do frango deve ter chegado longe. E o mais engraçado era que os dois gordinhos, eu e meu namorado, é que estavam com o frango, total alvo de piada de “gordices”. Nós ouvíamos os comentários e começávamos a rir, o Carlos, inclusive, abanava a embalagem com a intenção de que o cheiro fosse mais longe ainda.

E o pior de tudo, ou melhor, é que o ônibus estava demorando e o ponto ficando cada vez mais cheio. Dei a ideia de irmos para o ponto anterior, era o que eu fazia pra poder pegar o ônibus mais vazio e ir sentada até em casa. Fomos até o ponto, o cheiro do frango foi embora conosco e logo o ônibus veio, e o mais engraçado é que grande parte das pessoas que estavam no ponto e que estavam comentando sobre o frango entraram no mesmo ônibus em que nós estávamos. Ou seja: os comentários continuaram durante todo o caminho por causa do cheiro.

Pena que aquelas pessoas só sentiram o cheiro do frango, o que era um pouco de maldade já que estavam voltando pra casa depois de um dia de trabalho e, muito provavelmente, sentindo fome. Porque olha… eu posso dizer que aquele frango era o melhor frango assado do mundo.

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