Interesse

Eu não escrevo há meses. Isso me deixa um pouco chateada porque pela milésima vez quebrei a promessa que fiz comigo mesma: nunca parar de escrever. Mas a questão não é essa, não são as promessas, são os sentimentos que são expostos a cada palavra que eu digito. Foram quatro meses, e acredite… quatro meses é o bastante pra acumular muita coisa a ponto de sentir que a qualquer momento você possa surtar.

É verdade que o ócio nos deixa mais “desocupados”, mais pensantes, mas nada disso interferiu nas noites em que eu deitei a cabeça no travesseiro e minha mente parecia um liquidificador ruidoso com o botão de desligar quebrado, me deixando incapaz de simplesmente puxá-lo da tomada.

O assunto quase sempre será o mesmo: as pessoas. Me desculpem, mas me incomodo. Me incomodo por não poder falar sem parar tudo o que eu penso, tudo o que eu preciso dizer sem me sentir mal. É bom por pra fora, se sentir leve, mas ainda existe a consciência de que alguém pode sair muito mal nessa história, e muitas vezes pode ser você, no caso, eu. Sinceridade é uma coisa minha, não consigo medir palavras, se você quer a verdade, de mim sempre terá a verdade. E isso me leva a pensar numa coisa recente: interesse.

Fico me perguntando por que as pessoas tem tanta necessidade em se mostrarem totalmente hospitaleiras e compreensivas, sendo que no final, elas querem apenas alguma coisa sua em troca, e quando elas conseguem, é claro, pulam fora. Eu fico inconformada com isso. Eu digo pra mim mesma o quão ruim eu sou como pessoa, mas quando eu gosto de alguém e quero o bem de determinado ser, eu me esforço pra ser a melhor, e não é um esforço falso só pra pessoa ver que eu gosto dela, é real, sentimentos ainda são reais, pelo menos os meus são. E novamente me entristeço em continuar acreditando que existem pessoas que pensam igual à mim, e que realmente tenham algum sentimento recíproco. Pena que no fim é tudo interesse. Pena.

Eu poderia citar nomes, poderia citar situações, mas isso melhoria o quê? Talvez se a pessoa lesse ela poderia entender, ou ficar brava, ou parar de falar comigo. Nessa altura do campeonato não importa. Uma coisa que eu não tolero é decepção, não guardo rancor nem mágoa, mas as memórias sempre estarão lá, e quando eu me lembrar irei continuar decepcionada.

Hoje eu não acredito mais que as pessoas mudem. Elas são o que são, existem pessoas feitas para pessoas, pena que eu sempre encontro com as erradas.

Eu tenho tanta, mas tanta coisa pra falar que eu poderia virar a noite aqui, reclamando, agradecendo, apenas contando, mas agora eu só quero dizer isso: interesse é pior do que desinteresse, pelo menos um deles é, no fundo, verdadeiro.

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