Crônicas de um ponto de ônibus #4 Os meninos que não sabiam sobre DST

Eu acho que todas as pessoas deveriam saber como é voltar de ônibus para casa depois de uma balada. Mas não aquelas baladas em que você fica parado. Tem que ser uma que você dance e beba a noite toda sem parar e quando de manhãzinha começa a chegar você já não conseguir nem mais pisar no chão – por isso, meninas, não usem saltos nas ocasiões em que vocês querem dançar até morrer e ainda ter pés para chegar em casa e sobreviver no dia seguinte.

Pegar ônibus no domingo é uma merda; pegar ônibus intermunicipal num domingo é uma merda dupla; pegar ônibus intermunicipal num domingo e ter que fazer baldeação duas vezes por uma corrida acontecer justo no mesmo domingo não tem especificação adjetiva. Mas olha, isso até que é bom. Só que tem mais… porque além das baladas convencionais de sábado/domingo, especialmente nesta ocasião, houve o chamado “Carnafacul”, apelido para uma micareta que acontece por aqui, mais especificamente: o inferno. Então, imagine: você pode encontrar todo o tipo de pessoa entre as 6h e 8h da manhã. E foi o que aconteceu na primeira baldeação. Para quem conhece a Baixada Santista sabe que a avenida Presidente Wilson em São Vicente é o point da putaria, literalmente. E eis que nós, universitários pré terceiro ano encontramos um grupo de garotos que se julgaram ter 18 anos e mal saber o que é uma DST. E sabe qual foi o melhor? Um deles falar: “nossa, mas quantos anos você tem pra saber tudo isso?” Mas creio que a questão seja: quantos anos você precisa ter para saber o perigos em beijar várias pessoas numa noite só?

Imagine novamente: você está numa balada GLS, eles estavam num baile funk, qual evento tem mais chance de ocorrer “putaria”? Os dois, óbvio! Tanto é que na entrada da balada estavam distribuindo pacotes com cinco camisinhas. Pensando por um lado distribuir tal adereço estimula as pessoas à praticarem, mas pelo menos é de forma segura. E é por isso que me indigno ao ver crianças fazendo crianças. As pessoas não têm TV em casa? Não tem acesso à internet? Até o rádio fala sobre sexo seguro e coisas do gênero.

Voltando aos meninos… a partir da quarta série você tem aulas sobre sexualidade, desde o conhecimento dos órgãos genitais até como ter um bebê, e como é que eles mal sabem o que é uma herpes? Sei lá quantas meninas eles beijaram numa noite e vai saber onde aquelas meninas colocaram a boca (o mesmo digo para homens). Só espero que nenhum daqueles garotos tenha descoberto uma herpes bem bonita ao acordar e tenha que se arrepender durante, pelo menos, uma semana para depois acabar cometendo o mesmo erro.

Acredito que as pessoas deveriam ter uma visão diferente de “balada” e irem com a intenção de se divertir, não de compartilhar DSTs.

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